Atuação Criativa no Cinema

O Estúdio Terra Forte oferece cursos  de atuação, todos baseados na mesma metodologia desenvolvida constantemente por Frederico Foroni. Por se tratar de uma metodologia essencialmente prática, todos os cursos do estúdio resultam em um produto final, onde os alunos-atores são convidados a experimentar seu aprendizado. Seja na gravação de cenas individuais, seja na gravação de filmes de curta, média ou longa metragens, toda experiência conta com o apoio profissional de colaboradores responsáveis pela roteirização, fotografia, direção de arte e edição, garantindo uma vivência real do fazer cinema e também uma ótima qualidade técnica dos produtos finais.

 

CRIAÇÃO COLABORATIVA NO CINEMA – FILMAR A VIDA

O Estúdio Terra Forte realiza seu trabalho pedagógico e sua pesquisa na produção de filmes com a premissa do PROCESSO COLABORATIVO, onde a motivação e a responsabilidade pela qualidade de qualquer projeto partem não apenas do diretor/preparador, mas são compartilhadas por toda a equipe. O processo de construção de uma obra audiovisual, segundo o PROCESSO COLABORATIVO, é gerado pelo jogo dos atores que, guiados pelo diretor/preparador, debruçam-se sobre um tema, um conjunto de histórias pessoais ou qualquer outro tipo de ponto de partida essencialmente ligado aos integrantes do grupo criativo. A proposta, desta forma, nasce sempre da realidade circundante, desde realidades objetivas (cidade, país, mundo) até as subjetivas (histórias pessoais, dificuldades, passado do ator). São desenvolvidas, assim, as interações psico-emocionais dos atores, apresentando suas individualidades na relação coletiva. O resultado é uma maior verdade cênica, um alargamento dos repertórios a partir da interação com o outro e um enfrentamento positivo das dificuldades individuais.

 

O SER EM CENA

Na busca pela verdade em cena, fundamental no cinema, reconhecemos o fato de que os atores têm bloqueios emocionais, tensões, inseguranças e outras resistências que os impedem de alcançar um estado fundamental do ser. O método SER EM CENA trabalha a flexibilização destes bloqueios, propondo ao ator uma performance verdadeiramente orgânica e sem fingimentos. Esta é a mesma opinião, por exemplo, do cineasta russo Andrei Tarkovsky sobre o ator no cinema, a quem se refere como alguém que “deve estar em um estado psicológico que não lhe permita fingir, pois o cinema exige uma atuação autêntica e imediatamente em direção ao estado definido pelas circunstâncias dramáticas”. Todas estas questões antecipam um dos pontos centrais da pesquisa, que é investigar a capacidade de poder gerar, ao identificar o comportamento do corpo durante as manifestações emocionais, qualquer emoção escolhida, a partir da respiração voluntária e da realização de movimentos específicos. Parafraseando Artaud, “(…) pela acuidade aguçada da respiração o ator cava sua personalidade. Pois a respiração que alimenta a vida permite galgar as etapas degrau por degrau. E através da respiração o ator pode repenetrar num sentimento que ele não tem, sob a condição de combinar judiciosamente seus efeitos; (…). A respiração acompanha o sentimento e pode-se penetrar no sentimento pela respiração, sob condição de saber discriminar, entre as respirações, aquela que convém a esse sentimento.”

 

TRECHOS DE AULAS:

O SER EM CENA + PROCESSO COLABORATIVO

Aliando a metodologia O SER EM CENA e o PROCESSO COLABORATIVO, inspirado em processos semelhantes para teatro e nas abordagens do Prof. Dr. Antonio Januzelli, nasceram o Projeto Short Films, o Projeto 20 Minutos e o Projeto Primeiro Longa. Todos foram frutos da experiência de criação com uma turma de alunos de Frederico Foroni em 2006 com o média-metragem “Quando a festa acaba”, estreado na Mostra do AudioVisual Paulista. Depois desse, já foram criados outros 14 filmes, entre curtas e médias, sempre em PROCESSO COLABORATIVO, refinando a metodologia do SER EM CENA. Atualmente, os cursos estão restritos às gravações de cenas, até que os filmes sejam todos finalizados.

 

FILMAR A VIDA

Vindo da arte do ator, e extremamente ligado à liberdade jazzística, o diretor de cinema John Cassavetes julgava mais interessante filmar a partir da ideia de cena como um espaço para a ‘improvisação’. Um grupo de atores intima e artisticamente ligados, prontos, quando solicitados, para uma jam session com seus instrumentos afinados e insuflados de inspiração e experiência. Se configurando porém como parte essencial do processo criativo de artistas como Jean Renoir e Glauber Rocha, esta característica é fato incontornável para compreender de onde brota toda a emoção dramática dos filmes de John Cassavetes. Como bem disse o crítico Thierry Jousse, sobre a improvisação, não faz diferença se Cassavetes deixava seus atores improvisarem pouco em uma etapa preparatória, largando-os à criação apenas após devidamente encaminhados por uma prévia leitura de roteiro, porque o resultado, no final das contas, parecia o mesmo: o de uma improvisação total. Percebemos, portanto, que o improviso é o seu único modo de encenação, e – o mais importante! – não exclui os efeitos atingidos pela montagem, o enquadramento ou os movimento de câmera e de lente. Num horizonte de incertezas, alegrias conectadas a frustrações, uma das grandes belezas dos filmes de Cassavetes é registrar essa luta eterna dos personagens para encontrar algo que transcenda sua dor, que lhes dêem respostas sobre o mundo incerto, onde as pessoas digladiam-se verbal e fisicamente por amor ou calor. Uma busca que alimenta a vida, que tenta desvendá-la. Talvez daí venha o jargão de que Cassavetes filmava a vida.

Com o objetivo de filmar a vida, desenvolvemos a abordagem O SER EM CENA, assimilando a cena como um lugar de envolvimento emocional, verdade cênica e de consciência da linguagem e das estruturas que constroem uma história, passando também pelos aparatos técnicos, como a psico-técnica do ator.

 

Trechos dos filmes produzidos pelo Terra Forte em cursos.

 

 

 

* pesquisa sobre Cassavetes feita na WEB, com citações.