Ruas de Barros – poesia no teatro


Sinopse da peça

Ruas de Barros narra o perfil biográfico do poeta Manoel de Barros através de seus próprios poemas, com ênfase em seu estilo de criação literária, denominado pelo próprio autor de “criançamento das palavras”. Os mais importantes personagens presentes em seus livros aparecem materializados e são colocados em contato com o poeta. Desta maneira, os andarilhos Andaleço e Bernardo, o Menino-Poeta e a Anima-Mãe tornaram-se os eixos de relação do Poeta com sua história. Enquanto o Velho-Poeta viaja através da própria memória, o público acompanha através dos versos-diálogos, além de uma exposição do fazer literário do poeta, a narrativa da trajetória biográfica e intelectual de Manoel de Barros. A relação do poeta com seus personagens é intercalado por intervenções musicais e por canções cujas letras são poemas do próprio autor. Exemplos de toda a obra do poeta permeiam este espetáculo de rua, que através de uma linguagem simbolista traz o humor e a poesia de um dos mais importantes poetas brasileiros.

Dia 28 de maio, às 20h, em Uberaba

Local: Teatro Vera Cruz  / Rua São Benedito, 290 / 

Gratuito e para todas as idades.

 

FICHA TÉCNICA:

Textos: Manoel de Barros

Direção e Dramaturgia: Frederico Foroni

Cenografia e Figurino: Carolina Bassi

Trilha e Direção Musical: Marcus Siqueira

ELENCO:

Frederico Foroni

Antônia Mattos

Iris Yazbek

Paulo Williams

Gabriel Ivanoff

Produção: Grupo Chão

CONCEITOS DA ENCENAÇÃO

Ruas de Barros nasce na relação entre os atores e a poesia, entre a poesia e o teatro, entre o teatro e a música, e entre Manoel de Barros e o público. O espectador que vive, através dos versos do poeta, o “Homem Primitivo”, o metafísico e o fazer poético. Encontros, que na verdade são camadas – desdobramentos do espaço de reflexão ativa entre o artista e a obra e entre a obra e o público.

A encenação é épica por excelência; uma viagem dentro das lembranças do Velho Poeta. Tudo acontece às vistas do público – “Perdoai, mas eu preciso ser outros” – e os personagens nascem desta personalidade múltipla do poeta: lembranças de sua infância, amigos concretos ou imaginários – pessoas reais e inventadas que ganharam vida na sua poesia e tomaram corpo na encenação. A vida contida no universo retratado nos poemas de Manoel de Barros expande-se em direção à metafísica da criação, ao jogo com o natural, ingênuo e apaixonado, em uma teatralidade imensamente imagética.

A direção considerou o evento da apresentação como uma viagem pelos sete portos que representam a trajetória do poeta. Para a encenação, materiais naturais são usados na criação dos ambientes. A concretização dos espaços se dá pela reutilização metafórica destes elementos: galhos que viram o chão do pantanal, cortinas que viram paredes, tecidos que viram rios, instrumentos musicais que viram papel, que ambientam a natureza, se transformam em trem, etc.

A direção de arte foi influenciada pelo bricolé dos cortejos e festas populares tradicionais, pela arte manufaturada em linhas, tecidos, colagens e aplicações de Artur Bispo do Rosário, evidente em alguns elementos de figurino e adereços. Artur Bispo não poderia deixar de ser referência, não apenas pela admiração de Manoel de Barros por este artista, mas por sua correlata poesia imagética. E assim, o contexto cultural regionalista do pantanal mato-grossense foi sublimado por uma abordagem mais universal.

A direção musical buscou o resgate da intuição, do lúdico, das coisas mínimas, do “criançamento” e da emoção. O universo ocidental do homem do campo, do homem do chão – desde os elementos climáticos até sons de animais – juntamente com melodias e ruidagem, foram trabalhados em colaboração com o elenco e ressaltam o caráter lúdico e simbólico do homem. Os instrumentos utilizados no espetáculo tem forte ligação com a cultura popular, há acordeons, violas caipiras, rabeca, cavaco e percussões, que na construção melódica e na textura musical buscam elementos harmônicos e dissonantes sendo reflexo da criação poética do Manuel que dá novos significados e imagens a coisas ínfimas ou como diria o poeta “as pequenas coisas do chão mijadas de orvalho”

 

Assista:

 

CONTATOS PARA CONTRATAÇÃO: (Celular/Whatsapp) 11 – 9-8383-9077 / grupochao.teatro@gmail.com